domingo, 10 de fevereiro de 2008

Um Cadáver Esquisito


Era uma vez um padre que gostava muito cheirar flores só que um dia...

Foi um dia esquisito, com dois malucos atrás de mim! Uma loura tresloucada e um Dandi Tresmalhado!

Quando olhou para ele pensou que homem Lindo Meu Deus!, mas como irei eu aproximar-me dele, mas lá continuou a cheirar flores e ao longe viu um camelo com um árabe em cima, pensou q tal era estranho!

Soube logo que o vi. O olhar dele era como um Oceano de emoções.

Que emoções eram estas que lhe atravessavam a alma e o corpo, nunca sentira nada assim seria possivel este Amor, esta Paixão???

Oh pah! Que camelo tão bonito, será que ele vai comer as minhas flores? O árabe tem um mau aspecto, será que o consigo converter?

A situação converteu-se quando o vi com as calças para baixo, agarrado a um carneiro inocente!!

Mas, valia a pena!!!

Fim! :D
Authors:
Iana
Mister Claudio
Miss Ju

domingo, 9 de dezembro de 2007

As Sombras do Meu Desejo...




As sombras do meu desejo perseguem-me através da noite...

Revejo-me a fugir pelas ruas desertas de uma cidade desconhecida, numa noite fria e húmida, sinto o meu bafo quente a condensar-se, a minha respiração acelerada e a minha angústia crescente aperta-me o peito.

O negrume da noite... sinto-o em todo o lado... sinto-o como quando me lançaste o teu primeiro olhar, atravessaste-me ao meio. Deixaste-me desamparada, tiraste-me o norte, o sul... Consumiste a minha alma e levaste-a para a tua escuridão. Perdi-a e quero reencontrá-la...quero sentir-me inteira outra vez.

Quero de novo a minha luz. Desejo...

Hm... o ritmo do meu coração martela-me dentro da cabeça... estou quase a rebentar.

Tudo o que quero fazer é fugir... e deixar de ficar à espera que apareças no meio da cidade para me levares contigo. Persegues-me na noite, nos meus sonhos... persegues-me até ao beira do mundo, persegues-me até à beira de um mar de emoções que há muito já tinha esquecido...

Corro... e continuo a correr é tudo o que sei fazer. Não quero enlear-me nas tuas teias, não quero ser consumida pelas tuas chamas...
Como é doloroso acordar morta...
Como é doloroso acordar morta nesta cidade deserta...
Como é doloroso acordar morta nesta cidade deserta, sem a minha alma, minha Luz...
Como é doloroso continuar neste negrume...nestas sombras do meu Desejo...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

quarta-feira, 4 de julho de 2007


Às vezes penso que estou dentro de uma bolha. Sinto e vejo as coisas por detrás de uma redoma de vidro… as imagens apresentam-se desfocadas, os sons distorcidos. As emoções aprisionadas e os sentidos sufocados.

O meu papel é de observadora da espécie humana. E tentar atingir o nível de abstracção da sua própria realidade. Até que ponto é que o ser humano pode fugir de si mesmo até ser apanhado pelas teias da verdade…

Percorro este mundo infindo à busca de compreensão. Revejo os mesmos comportamentos vezes sem conta. A negação, a ilusão, a mentira, o medo, o isolamento a travar a evolução da alma, e o retardamento da felicidade na vida de cada um.

O futuro está e nós e na maneira como lidamos com a nossa sensação de mau estar.

Revejo-me a caminhar por ruas e reparar na face de pessoas…sempre com semblante fechado, com o coração fechado ao simples acto de amar, de confiar no Outro…neles mesmos. Repudiam a intimidade o acto de se entregarem …

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Astor Piazzolla - Milonga del Angel en Holanda

Milonga Del Angel

Rasgos de Imaginação - Parte III: Oblivion




"Encaminho-me para o meu atelier.
Lá tenho um espelho enorme, e no meio da escuridão sento-me e observo-me para lá dos contornos do meu corpo. Vou acendendo velas em locais estratégicos, e ponho um tango de Piazzolla, de maneira a criar um ambiente acolhedor. Preparo a parede branca à frente do espelho, com um sofá preto como fundo, despojo-me da minha roupa e encaro a minha máquina como confidente.

Tiro fotos ao meu corpo em várias posições até esgotar as minhas máscaras… até a minha essência prevalecer, à minha dor, vergonha, raiva e consumir-me de emoções. Chorar agachada no canto do meu sofá preto e perceber o contraste da minha cor com o resto do mundo.

Vivo numa busca incessante da dor humana.

Sou obcecada pela dor, pela minha dor e pela dor dos outros. Gosto de a explorar até à exaustão e conseguir perceber até onde a perversão pode ir. Explorar os seus vários níveis, começando pela minha vida, pela maneira e razões que nos fazemos sofrer desmedidamente no nosso quotidiano.

E tentar compreender o grau de enclausuramento em que nos encontramos, no modo de vida moderno, tão cheio de vícios e de prazeres efémeros.

Reúno o que resta de mim e volto para a rua. Começo a fotografar o fervilhar de vida que aparece no Bairro Alto às altas horas da noite de sábado. O contraste entre grupos de amigos com mendigos a dormir no meio da rua, a prostituição num bairro pequeno de Lisboa.

A disposição destas dimensões e realidades diferentes e a sua simbiose fascina-me. Duas realidades a coexistirem e a ignorarem-se completamente numa dança desigual.

Deambulo por essas vias e escolhendo o meu caminho passo a passo, deixo o negrume tomar conta de mim e perco-me nos meus pensamentos até encontrar a passagem para a minha alma.

Vejo todo o género de figuras a suceder perante mim, parecem ser seres de outro mundo, deformados, estranhos, misteriosos… como entidades de outro mundo que escapam do sub mundo para a liberdade da noite para aí se imiscuírem com as restantes criaturas da nossa dimensão.

Revejo-me nelas… organismos com vida própria e culturas distintas e inteligíveis difíceis de compreender.

As trevas despedem-se da cegueira da noite…e o crepúsculo dá lugar ao dia. Esses seres ausentam-se temporariamente e os exemplares da nossa estirpe tomam conta da poesia do negrume e incendeiam-na com a luz do sol e os seus carpidos monumentais dos seus carros e indiferença à sensibilidade e harmonia destes povos subterrâneos que habitam por entre a inquietação e a incerteza da Vida…

Dou por mim na presença do Tejo, sereno e confiante na sua missão de escoar a sujidade do burgo para o largo do Oceano. Também quero desaparecer assim, no meio do nada e tornar-me parte dele, mas ainda não é o meu tempo… e a minha espera adivinha-se longa.

Volto para o entorpecimento da minha cama e aí coloco nas mãos de Orpheu a minha alma para ele a abrigar e protege-la dos meus sonhos já tão familiares… e aí espero pelo meu repouso tão prometido e desejado."