quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O que me chateia é que ainda não consigo pressentir o futuro. Sinceramente, não faço mínima ideia para onde vou ou o que irei fazer da minha vida, em especial a via profissional.

Sinto-me completamente inerte. Não tenho a motivação de outrora para ir procurar trabalho como uma leoa. Cansada de procurar. Com medo de me atirar para o desconhecido, falta de confiança das minhas capacidades.

Sinto-me bem reclusa.

Intuo que ainda tenho muita coisa a resolver comigo mesma em especial a preguiça, o comodismo, o medo, a raiva, a gula, tenho opinião que necessito de retirar isto do meu sistema, mas receio de o praticar, como se fosse ficar um vazio e eu não o saberia como o preencher. Tenho consciência do que me faz bem e o que me faz mal, mas falta-me a disciplina e a coragem de ir em frente com essa mudança profunda.

Só me faria bem.

Libertar-me-ia de todo, de um complexo jogo de energias densas que albergo em mim. Que sinto, me estão a sufocar.

Hoje decidi duas coisas. Uma má, outra boa.

A má decisão foi ir comer fora.

A boa decisão foi desligar a televisão e ouvir música clássica, ler e escrever.

A televisão toma muito do meu tempo. Fico esgotada, com os olhos cansados, não penso, não raciocino, em suma o cérebro transforma-se numa papa. E ainda por cima tenho uma tendência preocupante de me deitar muito tarde. Tenho de começar a deitar-me cedo e a levantar-me cedo, desperdiço muito do meu tempo assim.

Tenho necessidade de estar cada vez mais ligada à terra, ir passear para bosques sozinha, sentir o nascer do sol, sentir o pôr-do-sol sentir a terra húmida por debaixo dos meus pés, sentir a TERRA através do meu corpo! Redescobrir-me assim: nua, pura…

Sentir-me em uno com a terra, viver de acordo com a terra, apanhar sol. Curar-me com a terra, só comer produtos biológicos, deixar para trás a carne definitivamente, refrigerantes e coisas que só fazem mal. Mas, não faço nada disto. Não ajo de acordo com a minha intuição, de acordo com o meu ser. E depois, claro, queixo-me como estou infeliz e inerte… pudera! Não estou a fazer aquilo que realmente Eu sou, só estou a fazer aquilo que o meu Ego quer. É Não fazer nada.

O Universo está a dar-me uma oportunidade, que é ter tempo para mim própria. E tenho de começar a atinar com as minhas próprias regras de maneira a sair deste marasmo. Ao tempo que não vou a Sintra… que saudades. E ir à serra sozinha, então, acho que nunca o fiz. Vergonha. Tenho de experimentar, para quê ficar à espera. Esse também é um problema, é o facto de adiar o óbvio. O que é chato. E só me está a atrasar a vida.

Hoje de manha presenciei uma tempestade que aos anos que não tinha o privilégio de sentir e assistir, com uns trovões e relâmpagos absolutamente maravilhosos, fortes, turbulentos, como se fossem partir o Mundo ao meio. É incrível o poder do Universo, foi como se fosse um aviso, uma mensagem de que somos uma gota de orvalho numa poderosa árvore. Frágeis e pequeninos.

Amei.

Libertador.

Precisamos de mais tempestades assim que façam abanar o nosso cerne que nos façam acordar para o que realmente interessa. O Ser.

Estava um cheiro incrível, o ar estava limpo fresco, podia-se respirar, ser, vibrar, orar!
Quem dera que o mundo voltasse a ser sempre assim.

A Luz, não sei descrever, é como se iluminasse a alma de todas as coisas, brilhante, vibrante, vivo! Uma experiência única. Que haja mais tempestades assim, que consigam desvendar a verdadeira natureza de todas as coisas, Ámen.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A Luta contra o Cérebro


Quero fazer parte de um mundo que não existe.

Quero transformar-me numa pessoa que não sou.

Quero partir-me em duas e não consigo.

Retirar a parte má, invés de a reter e a transformar em algo positivo.

Vivo no passado, o que não me vale de muito.

Revivo o passado, o que ainda tem um efeito mais devastador.

Quero viver o presente com calma e paz, que é o ideal. Mas, volto aos meus vícios antigos.

Uma maravilha!

Entretanto, no meio de tanto azar e maldizer, acerca do estado da minha vida, que quase comparo a Cândido de Voltaire… uma tragédia por certo!

Como uma colherada de cada vez. Sinto o sabor, a textura, o cheiro, degusto com prazer e sem pressas e engulo, já com tudo triturado e imenso deleite, satisfeita com a sensação de prazer que me traz este pequeno gesto e alimento que ingiro.

Porque é que eu não faço isso no meu dia-a-dia?

Porque não sinto o sabor, a textura, o colorido e a vastidão do universo que me rodeia? Porque não O degusto com gozo e com gosto através desses pequenos trejeitos? Seria tudo tão mais fácil.

A vida sem expectativas, sem pressões, sem ilusões, preocupações...

 Manter tudo simples:

- Saborear o gosto da vida;

- Experimentar a textura da vida;

- Observar o colorido da vida;

- Escutar o sentido da vida;

- Cheirar a vida;

- Pressentir a vida.

 Tudo tão simples, tão profundo, tão sábio, como observar uma flor do campo, sentir-lhe o odor, sentir-lhe a textura, apreciar a sua paleta de cores, sentir o sabor da vida e a partir dela, pressentir o sentido da vida.

Os ciclos eternos que nos regem.

O desabrochar, a maturação e o definhar de uma vida.

Portanto, volto a comer mais uma colherada e vem-me à cabeça todo o processo e caminhos que estes cereais e frutos (cereais de parte incerta, que decerto serão transgénicos, com o azar que tenho… as nozes são do Chile, e comprei tudo no pingo doce!) percorreram até chegar a mim. Nasceram, cresceram, foram colhidas, processadas, vendidas e adquiridas por mim, para chegarem à minha boca, língua, saliva, para ser degustada, ingerida, digerida e expelida por mim… (daqui a umas horas…para ir para o esgoto. Podia ter, realmente, um final mais poético…enfim é a vida, não pode ser sempre bela e idílica.).

Existe o factor realidade. Em que não podemos viver à margem da sociedade só porque nos apetece.

Fazemos todos parte de um todo, de uma máquina bem oleada, embora nos pareça um pouco rude e cruel a maior parte das vezes.

Mas, também, é, porque fizemos o mundo assim. Não vale a pena mandar a responsabilidade para cima dos outros, também temos de assumir a nossa quota-parte. O que é lixado. Sabe sempre bem sacudirmos as nossas responsabilidades para bem longe… num país muito, muito, muito far away from us! Como os americanos fazem!

Ora, vamos lá ver… como é que eu posso ajudar o mundo? Podia primeiro, melhorar o meu mundo. Eu própria, isso trás repercussões imediatas para aqueles que me rodeiam. Isso é bom. Melhorar-me gostar mais de mim, tratar-me melhor comer menos…bolos e coisas gordurentas… confesso. E comer mais vegetais, e porque não tornar-me vegetariana! Ai, que lá se vai o bom do cosido à portuguesa… Fazer mais exercício, mais meditação, mais pelos outros. Ajudar por ajudar. Sei lá tanta coisa… conseguir lidar com pessoas chatas, ser uma santa!!! Eheheh Exagero! Apenas conseguir ser equilibrada, entre aquilo que sou e o que os outros são. Ah! E fazer a reciclagem e plantar um horto! E… tantas coisas mais!

Coisa complicada mudar coisas tão simples!

Ufa… que canseira. E a telenovela que vai começar… acho que não vou ter tanto tempo assim, para ser boazinha e perfeita que nem uma santa de pau carunchoso…

Bem … vou cingir-me à minha realidade de leoa de gema, ansiando por ser adorada, adulada, massajada e ter um mordomo perfeito que tenha todo o tipo de competências e apetências (ihihih) … que viva para me agradar e mimar, até ficar feita uma bolinha cor-de-rosa, que nem a Miss Piggy, a chamar pelo Cocas!

Até realizar estes sonhos hedonistas, contento-me com tudo aquilo que tenho, que é pouco mas, é meu, e saiu do meu corpinho com muito esforço, algumas lágrimas e muito humor!

Haja Alegria!

sábado, 2 de maio de 2009

A Noite


Sento-me na minha varanda e observo a noite, aconchegada no meu poltrão e na minha manta preferida. Penso no dia que passou, no que fiz e deixei por fazer… Deixo a minha mente e imaginação vaguear pelo meu corpo e depois pelo mundo ao meu redor.

Noto o cheiro da noite, da urze, das flores, dos pinheiros, carvalhos e terra húmida pela cacimba. Os sons da noite, os grilos, cigarras e outros animais da noite, cantam para mim como se de uma sinfonia se tratasse, um som belo e delicado tocado por magia. Na minha face sinto a brisa fresca de primavera e sinto a maresia… as árvores, quase que parecem o som do mar, carpindo as suas vivências…

Quando dou por mim, vejo-me absorvida pela noite, a sua aura e por todos os seres que aí habitam…

A minha gata pressente o meu afastamento e vem aninhar-se ao meu colo, ruiva que nem uma cenoura, tem o pêlo macio e o seu calor descontrai-me ainda mais.

E, esqueço-me de quem sou…

No silêncio da noite deixo minha alma vaguear pelos campos e vales, por entre as colinas. Vejo a noite através de um azul profundo, o céu meio enublado, e por entre as nuvens espreita a lua tímida, ainda a crescer.

Os campos, sempre tão organizados parecem uma manta de retalhos, banhados por riachos de prata e nascentes de luz pálida e transparente.

A luz é mágica e sem sombras, imiscui-se pela natureza tornando-a viva, acordando as fadas e os duendes e todas as entidades da terra, da água e do luar…

Uma nova vida inicia, começam a sair dos seus esconderijos e regurgitam-se por tamanha liberdade. Enfim, a terra volta a quem lha pertence. Festejam e dançam, por entre a brisa fresca e cantam a sua gratidão à mãe Gaia por uma nova noite cheia de oportunidades. Como sempre asseiam a sua casa, o seu lar, saram as plantas e animais feridos, dão-lhes o amor e o respeito, que os humanos, arrogantes, recusam-lhes a dar.

Rezam para que os humanos voltem às origens e percebam que são apenas mais uma espécie dentro do reino animal, que percam a soberba de tentarem ser deuses. E admitam o seu lugar na sua cadeia e tentem ser o humildes o suficientes, que é Gaia quem os sustenta com todo o seu corpo, lágrimas, sangue, terra e mar.

Todas as fadas duendes e entidades da terra e do luar choram a ignorância do homem, e rezam para que eles acordem antes que seja tarde demais. Cada noite que passa o trabalho fica mais difícil de concretizar, existem cada vez mais vítimas pelo caminho…

A terra sofre com a violência do homem, com a sua recusa do amor para com eles e para com todos aqueles que habitam ao seu lado.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Um Cadáver Esquisito


Era uma vez um padre que gostava muito cheirar flores só que um dia...

Foi um dia esquisito, com dois malucos atrás de mim! Uma loura tresloucada e um Dandi Tresmalhado!

Quando olhou para ele pensou que homem Lindo Meu Deus!, mas como irei eu aproximar-me dele, mas lá continuou a cheirar flores e ao longe viu um camelo com um árabe em cima, pensou q tal era estranho!

Soube logo que o vi. O olhar dele era como um Oceano de emoções.

Que emoções eram estas que lhe atravessavam a alma e o corpo, nunca sentira nada assim seria possivel este Amor, esta Paixão???

Oh pah! Que camelo tão bonito, será que ele vai comer as minhas flores? O árabe tem um mau aspecto, será que o consigo converter?

A situação converteu-se quando o vi com as calças para baixo, agarrado a um carneiro inocente!!

Mas, valia a pena!!!

Fim! :D
Authors:
Iana
Mister Claudio
Miss Ju

domingo, 9 de dezembro de 2007

As Sombras do Meu Desejo...




As sombras do meu desejo perseguem-me através da noite...

Revejo-me a fugir pelas ruas desertas de uma cidade desconhecida, numa noite fria e húmida, sinto o meu bafo quente a condensar-se, a minha respiração acelerada e a minha angústia crescente aperta-me o peito.

O negrume da noite... sinto-o em todo o lado... sinto-o como quando me lançaste o teu primeiro olhar, atravessaste-me ao meio. Deixaste-me desamparada, tiraste-me o norte, o sul... Consumiste a minha alma e levaste-a para a tua escuridão. Perdi-a e quero reencontrá-la...quero sentir-me inteira outra vez.

Quero de novo a minha luz. Desejo...

Hm... o ritmo do meu coração martela-me dentro da cabeça... estou quase a rebentar.

Tudo o que quero fazer é fugir... e deixar de ficar à espera que apareças no meio da cidade para me levares contigo. Persegues-me na noite, nos meus sonhos... persegues-me até ao beira do mundo, persegues-me até à beira de um mar de emoções que há muito já tinha esquecido...

Corro... e continuo a correr é tudo o que sei fazer. Não quero enlear-me nas tuas teias, não quero ser consumida pelas tuas chamas...
Como é doloroso acordar morta...
Como é doloroso acordar morta nesta cidade deserta...
Como é doloroso acordar morta nesta cidade deserta, sem a minha alma, minha Luz...
Como é doloroso continuar neste negrume...nestas sombras do meu Desejo...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

quarta-feira, 4 de julho de 2007


Às vezes penso que estou dentro de uma bolha. Sinto e vejo as coisas por detrás de uma redoma de vidro… as imagens apresentam-se desfocadas, os sons distorcidos. As emoções aprisionadas e os sentidos sufocados.

O meu papel é de observadora da espécie humana. E tentar atingir o nível de abstracção da sua própria realidade. Até que ponto é que o ser humano pode fugir de si mesmo até ser apanhado pelas teias da verdade…

Percorro este mundo infindo à busca de compreensão. Revejo os mesmos comportamentos vezes sem conta. A negação, a ilusão, a mentira, o medo, o isolamento a travar a evolução da alma, e o retardamento da felicidade na vida de cada um.

O futuro está e nós e na maneira como lidamos com a nossa sensação de mau estar.

Revejo-me a caminhar por ruas e reparar na face de pessoas…sempre com semblante fechado, com o coração fechado ao simples acto de amar, de confiar no Outro…neles mesmos. Repudiam a intimidade o acto de se entregarem …

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Astor Piazzolla - Milonga del Angel en Holanda

Milonga Del Angel

Rasgos de Imaginação - Parte III: Oblivion




"Encaminho-me para o meu atelier.
Lá tenho um espelho enorme, e no meio da escuridão sento-me e observo-me para lá dos contornos do meu corpo. Vou acendendo velas em locais estratégicos, e ponho um tango de Piazzolla, de maneira a criar um ambiente acolhedor. Preparo a parede branca à frente do espelho, com um sofá preto como fundo, despojo-me da minha roupa e encaro a minha máquina como confidente.

Tiro fotos ao meu corpo em várias posições até esgotar as minhas máscaras… até a minha essência prevalecer, à minha dor, vergonha, raiva e consumir-me de emoções. Chorar agachada no canto do meu sofá preto e perceber o contraste da minha cor com o resto do mundo.

Vivo numa busca incessante da dor humana.

Sou obcecada pela dor, pela minha dor e pela dor dos outros. Gosto de a explorar até à exaustão e conseguir perceber até onde a perversão pode ir. Explorar os seus vários níveis, começando pela minha vida, pela maneira e razões que nos fazemos sofrer desmedidamente no nosso quotidiano.

E tentar compreender o grau de enclausuramento em que nos encontramos, no modo de vida moderno, tão cheio de vícios e de prazeres efémeros.

Reúno o que resta de mim e volto para a rua. Começo a fotografar o fervilhar de vida que aparece no Bairro Alto às altas horas da noite de sábado. O contraste entre grupos de amigos com mendigos a dormir no meio da rua, a prostituição num bairro pequeno de Lisboa.

A disposição destas dimensões e realidades diferentes e a sua simbiose fascina-me. Duas realidades a coexistirem e a ignorarem-se completamente numa dança desigual.

Deambulo por essas vias e escolhendo o meu caminho passo a passo, deixo o negrume tomar conta de mim e perco-me nos meus pensamentos até encontrar a passagem para a minha alma.

Vejo todo o género de figuras a suceder perante mim, parecem ser seres de outro mundo, deformados, estranhos, misteriosos… como entidades de outro mundo que escapam do sub mundo para a liberdade da noite para aí se imiscuírem com as restantes criaturas da nossa dimensão.

Revejo-me nelas… organismos com vida própria e culturas distintas e inteligíveis difíceis de compreender.

As trevas despedem-se da cegueira da noite…e o crepúsculo dá lugar ao dia. Esses seres ausentam-se temporariamente e os exemplares da nossa estirpe tomam conta da poesia do negrume e incendeiam-na com a luz do sol e os seus carpidos monumentais dos seus carros e indiferença à sensibilidade e harmonia destes povos subterrâneos que habitam por entre a inquietação e a incerteza da Vida…

Dou por mim na presença do Tejo, sereno e confiante na sua missão de escoar a sujidade do burgo para o largo do Oceano. Também quero desaparecer assim, no meio do nada e tornar-me parte dele, mas ainda não é o meu tempo… e a minha espera adivinha-se longa.

Volto para o entorpecimento da minha cama e aí coloco nas mãos de Orpheu a minha alma para ele a abrigar e protege-la dos meus sonhos já tão familiares… e aí espero pelo meu repouso tão prometido e desejado."

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Rasgos de Imaginação - Parte II : Maria


"É Inverno.

Lisboa está gélida, e no meio bairro, na rua da Madalena sente-se um cheiro intenso a maresia. Acabou de chover e aconchego o meu sobretudo preto ao meu corpo. A rua está vazia e o som das minhas botas ecoa pelo espaço.

Sinto-me como se a minha alma tivesse um buraco enorme.

Ando perdida pela cidade, à procura de não sei bem o quê… tenho a minha máquina sempre à mão…nunca se sabe o que a vida nos pode trazer. Como o rosto de uma velha…uma mão de um mendigo, o fato de homem de negócios, um gato num beco.

Preciso de algo que me faça despertar desta minha espiral negra, um lampejo de luz ou num olhar de uma criança. Qualquer coisa serve para sair da ressaca da noite anterior e me faça ver a realidade de maneira diferente.

Parto em busca de mim própria.

Estou no modo automático, como o meu pequeno-almoço de sempre, uma torrada e um galão, que me traz um conforto estranho, como se de uma memória antiga onde eu ainda era inocente. Decido dirigir-me à casa da Maria, ela é um dos meus últimos projectos. É uma prostituta, e uma mulher como não há muitas. A sua honestidade agressiva, a sua sexualidade seca e personalidade forte fascinam-me.

Recebe-me em sua casa mesmo estando cansada de uma noite trabalho árduo sob condições inumanas. Oferece-me um café. Despe-se e finalmente começamos a trabalhar no meio de conversas banais.

Maria tem 45 anos, tem ainda traços de uma beleza em tempos estonteante, a sua pele é seca, as mamas descaídas, tem uma postura orgulhosa embora viva numa casa de uma assoalhada velha, no meio da Mouraria e a cair de podre.

Fotografo-a enquanto ela se despe, enquanto está a tomar banho e a retirar dela os vestígios de todos os homens que passaram por ela… por todo o seu corpo tem marcas de anos de violência, cicatrizes, nódoas negras recentes e marcas do seu vicio de drogas.

Faço um exame clínico do seu corpo com a câmara, a sua postura, o seu olhar, o seu ambiente da sua beleza crua e honesta. E do seu sentido de humor sarcástico e negro, fica na memória a nossa cumplicidade ganha de uma amizade estranha. Já trabalhamos juntas a algum tempo, não sei dizer quanto. O tempo é relativo e sem importância. O que fazemos dele é o que importa. E com ela tenho-o aproveitado ao máximo.

Falamos muito acerca da vida, das escolhas que fazemos, dos erros que cometemos e dos nossos sonhos falhados…

Saio de ao pé dela já tarde quase de noite. O meu dia ainda não acabou e não quero ir já para casa.

Lisboa hoje emana uma aura especial, parece que tudo pode acontecer. As luzes de Natal estão a ser acesas e já começo a notar um ratinho no estômago, paro numa tasca para comer qualquer coisa. Revejo mentalmente a sessão com Maria e visualizo as melhores fotos. O corpo branco e nu, de encontro à parede da sua casa de banho, o seu cabelo molhado e comprido espalhado pelos ombros e o reflexo do seu rosto no espelho, com uma expressão de abandono, como se o seu corpo fosse apenas uma carcaça e a sua alma já tivesse partido à muito.

Aquela imagem persegue-me enquanto caminho. É uma imagem forte de uma velha amiga a abandonar esta vida. Um acto de perversão à natureza humana e da Vida junto com os seus sonhos destroçados. Ela vive enclausurada no mundo que ela escolheu para si, um misto de ilusões, vicio e a sua dura realidade. Maria já não quer mudar, cansou-se de lutar por uma vida supostamente normal, onde nada é o que parece e ninguém é o que clama ser. Prefere o acto da solidão e verdade para consigo própria e viver de acordo com as suas acções e consequências.

Admiro-a."

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Rasgos de Imaginação - Parte I: Reflexo




"Mais uma noite sem dormir…

Tive insónias. Não é novidade… à já uns anos que não sei o que é dormir em paz. Quando finalmente adormeço, sou invadida por sonhos vívidos o que reduz em muito a minha capacidade de me regenerar durante a noite.

Saio da cama e encaminho-me para a casa de banho, no meio dos meus rituais, lavo a cara e mais uma vez me olho ao espelho…

Mas, desta vez algo mudou. Algo está diferente em mim… não me reconheço. Os meus olhos azuis estão baços, o meu cabelo outrora brilhante e vivo está como se fosse palha, crespa e seca. Tenho umas manchas negras por debaixo dos meus olhos e rugas onde eu não imaginava que existiam.

No meu quarto está o meu amante… mais um. Para mim é um estranho, já não o reconheço e muito menos me lembro o porquê do nosso envolvimento. Conheci-o numa festa na galeria de arte lx20, conversámos, quando dei por mim estava a acordar ao lado dele numa casa que não era a minha.

Quero-o fora daqui… tenho trabalhos para acabar e não estou com paciência de dar uma de boazinha.

Saio da casa de banho e vou buscar a minha máquina fotográfica. Fotografo aquela imagem de uma noite de sexo selvagem. Não sei, mas algo naquela cena é gutural, aquele corpo desconhecido deitado na minha cama, num sono profundo estranho a tudo o que se está a passar à sua volta.

Aquela imagem atrai-me. O ambiente de penumbra, a luz do meio da manhã a trespassar os estores, o ar pesado do quarto… um momento impessoal, gélido e sem emoção.

Fotografo-o até à exaustão, não consigo perceber porque é que ele não acorda… fotografo-lhe as pernas enroladas nos lençóis de algodão brancos, as costas nuas com o reflexo da luz vindo da janela. Quero dissecar aquele cenário, quero por tudo à vista, ele muda de posição tiro-lhe a foto do perfil dele em contra luz…o pénis dele está erecto. Encontro aquela imagem excitante…dispo-me, e começo a brincar com o seu sexo, vejo-o a estremecer no seu sono, agrada-me estar no controlo.

Deleito-me vê-lo a acordar no meio do prazer. Ponho-me em cima dele e brinco com o seu desejo, não quero que tome o controlo… entramos numa luta de poder onde o desejo é o que domina e tem de ser satisfeito a qualquer custo… no meio de gemidos de prazer e lutas desiguais, onde a recompensa é um orgasmo de esquecimento sempre bem-vindo.

Fico na cama a dormitar, ele senta-se e diz que já está atrasado, sinto-me aliviada por se ir embora. Não resisto e registo aquele momento de intimidade devastada, levanto-me por instantes e preparo a máquina, ele não dá conta do que faço, ainda está em ressaca da noite anterior.

Volto para a cama e oiço aquele som característico do obturador."

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Listening to the Earth...

Ouvir o espírito da terra e perceber o que ela tem para nos dizer... Por entre as linhas barulhentas que percorrem o mundo, temos de nos encher de um espírito aberto à mudança e à criatividade... e sossegadinhos, observar com o coração e ouvir atentamente com a nossa intuição...
Receber o carinho que ela tem para nos dar, através da beleza e da sua infinita sabedoria e assimilar que para o nosso Lar ficar Lindo e Arrumado, todos temos de fazer a nossa parte com muito carinho e Amor, pois estamos ligados a este Ser Vivo, a Gaia, e todos os seres vivos para viverem precisam de cuidados e de se sentirem especiais.
Vamos fazer este carinho à Gaia! Ela merece ser amada... tal como nós... pois sem a Gaia, também não vamos poder viver.
Namasté

domingo, 13 de maio de 2007

sexta-feira, 11 de maio de 2007






Todos estes anos em que estive perdida neste mundo de terra, água, ar e fogo e que agora já não é mais o mesmo...



Um mundo que não pára nunca como uma máquina de jazz...sempre num estado de mutação e de ritmos doces, acres...numa melodia longínqua até uma cacofonia ensurdecedora...



Emoções que vibram sempre connosco...vida após vida para nos fazer lembrar de onde vimos e porque estamos aqui.



Não nos podemos que esquecer que somos energia vibrante e que estamos sempre ligados a seres superiores e inferiores que pensamos nós nos tratam como joguetes, mas tal não e verdade. Pois, somos nós, como co-criadores do Universo criamos a nossa realidade de acordo com a vibração que projectamos no Cosmos.



O ritmo arranca e balança e muitas vezes nem sabemos o que fazemos... apenas nos balançamos ao som e ao ritmo da vida dos outros e quando queremos parar e perceber o nosso proprio ritmo é difícil parar e ver quem relamente somos... e ver a nossa cor!



É altura de sentir O NOSSO RITMO e aliarmo-nos ao tempo e entrelaçarmo-nos nele... pois a vida é bela e feita de uma cadência eterna, onde a constante é o Verbo.



A mudança está ao nosso alcance.



Os sonhos são o limite...



Atrevam-se a dançar ao som do vosso coração!



Namasté




quarta-feira, 9 de maio de 2007

A Ascensão da Alma




A Ascensão da Alma.

A Ascensão do Eu é feito pelo Amor.

Pelo Amor por não só por nós próprios mas, também pelos outros... Pelo um Amor Incondicional que transpõe todas a barreiras.

Este Amor é marcado pelo profundo respeito do ser humano como um ser holístico, um ser Espiritual em evolução eterna que busca Deus em Si e a sua plenitude de Amor e Carinho eterno.

A aprendizagem é feita através deste caminho que são as nossas amizades, os encontros fortuitos, a família que vamos contruindo para além da nossa família de sangue.

Para mim a família espiritual que vamos formando é muito especial pois é uma família que vamos construindo com consciência, com uma consciência livre de preconceitos, escolhida por nós! Essa é a grande beleza de Viver, a partir de certa altura somos co-criadores da nossa existência e já não existe mais nenhuma desculpa para não sermos felizes...


"O elo que une a tua verdadeira família não é de sangue, mas de respeito e de alegria pela vida uns dos outros.

Raramente os membros de uma familia crescem sob o mesmo tecto."

Richard Bach - "O Livro do Messias"


O que eu sinto é apenas uma profunda alegria de descobrir quem sou.. de que sou feita, fazer uma apanhado de quem fui, sou e serei. Os amigos são muitas vezes um espelho de nossa alma, pois se amizade for verdadeira, podemos realmente vermo-nos neles e crescer.

Não existe vergonha em falar aquilo que nos vai na alma! Temos d ser sinceros... e agir de acordo com o nosso coração e maneira de Ser.

Sinto que o primeiro passo de uma qualquer evolução, tem de ser a aceitação de nós próprios e viver de acordo com com os nossos desejos e sentimentos mais sinceros. Só assim a Vida se conjuga para uma verdadeira acepção de felicidade.

Viver a Vida de dentro para fora.

A verdadeira transmutação é quando a pessoa larga tudo aquilo que já não lhe faz falta, respeitante ao passado e em braça sem medo um novo modo de vida de acordo com os seus sonhos...

Pensem nisto...


Namasté

sábado, 7 de abril de 2007

Paródia de um Bom Amigo ehehehe O máximo!


"Um arroto invadiu a minha paz enquanto passeava pela rua, numa daquelas noites superbas de lua nova em que as estrelas parecem brilhar mais... Um arroto cujo o eco conspurcou qualquer estado de espiríto que pudesse transitar em beatitude... filho da puta! Em tanta coisa magnifíca pensava eu até tu romperes a minha união com o universo com essa tua javardice desmesurada... cabrão! Odeio-te como um inimigo de longa data. Deixei de ser o Eu que gosto de ser à pala daquele mongolóide, daquele borrego mal parido. Somos certamente pessoas diferentes, nunca poderei dizer que desejo ser um Uno com aquela fonte de mal-estar. Odeio-te de várias formas, num ódio carregado de fúria, batia-te de todas as maneiras possíveis, até derramares lágrimas. A tua sorte é que eu não sei quem és tu meu animal, mas posso-te garantir que mesmo assim te odeio. Se te reconhecer na rua seu javardo, ou à porta da tasca onde arrotaste, garanto-te que vou ficar à tua espera para te bater. Vais ver que vais ser só meu enquanto dura a sova que te quero dar.Odeio-te
Um recuerdo de uma Boa gargalhada! Tudo tem um oposto é preciso ter cuidado com o que desejamos! lol
Joca Gaijo! Córti bué! Está Hiper Mega Super Fish!

quinta-feira, 29 de março de 2007

Saudades de uma pessoa que ainda não chegou...


Numa noite de luar... onde a vida parece flutuar como se de uma sonho se tratasse... O som de um violino ecoa pelo mundo, num som melancólico perpetuando a saudade pelo que ficou e pelo que vem aí!
Uma vez soa como um como um murmúrio de uma vida vivida com emoção de uma onda que que beija a terra pela primeira vez. Com tal volência, paixão, intensidade e êxtase...para depois se desmoronar tonta e cansada e se fundir na rocha dura que a acolhe com indiferença dissimulada...mas que no fundo também se parte e se torna parte desta aventura de amantes loucos, perdidos e entrelaçados no destino da revelação do Cosmos. Uma espiral eterna onde o Amor começa, desabrocha e definha.
O som primodial penetra em nós e nós tornamo-nos no Som.
Já não somos nós.
Somos o sentimento e a emoção do Outro.
Comungamos em uno com o Universo.
Não nos queiramos esquecer daquilo que fomos, somos e que seremos um dia...
Somos pessoas diferentes numa só.
O nosso caminho é longo e feito de tudo o que não imaginamos... de retalhos de memórias vividas com Amor, Dor...Luz e Sombra...Gargalhadas sentidas e lágrimas derramadas.
Amo-te.
Amo-te com um amor carregado de paixão. Amo-te como um amigo. Amo-te como um irmão. Amo-te de todas as maneiras possiveis e imaginárias...
Enquanto te Amo... Espero reconhecer-te na rua... num bar... num olhar... num sonho perdido...numa recordação antiga de outras vidas que passámos juntos, como amigos, irmãos, amantes... Fazes parte da minha vida e eu da tua.
Enquanto te Amo e Vivo...vou ficar à tua espera.
Pois eu sou tua e tu és meu.
Amo-te...

sexta-feira, 16 de março de 2007

Olhar

Tudo na vida tem um propósito.
Quem somos, para onde vamos, com quem estamos e nos relacionamos. A verdade anda aí nos meandros da nossa vida.
Podemos ignorar os sinais que a Vida nos manda, podemos ignorar que fazemos parte do Cosmos, podemos não aceitar as suas dificuldades, podemos estar zangados com o mundo. Mas, uma coisa que não pode ser esquecida é a responsabilidade da nossa evolução como seres humanos.
O que nos faz seguir pela direcção certa? Porque nos metemos em problemas que muitas vezes parecem impossíveis de resolver?
Um olhar sincero no espelho basta para nos desnudar.
Nós sabemos quem somos, para onde vamos ou o porquê dos nossos relacionamentos.
Está tudo dentro de Nós, a Sabedoria que precisamos para sobreviver, Viver e Aprender.
O complicado está em aceder a essa informação, pois está intimamente ligada ao nível de aceitação do nosso Ser e à nossa ligação com o Universo.
Para evoluir temos de deixar cair as nossas máscaras, temos de provar a nós próprios do que somos capazes e a força da nossa existência. Ao falar de força, não estou a falar de destruir o outro para nosso beneficio, estou sim a pronunciar a superação de nós próprios e seguir os nossos sonhos e aspirações.
Nunca tenha medo de Olhar para si de uma maneira diferente!

quarta-feira, 14 de março de 2007

Momentos

Existem momentos mágicos em que perdemos a noção do eu...como ouvir uma boa música no meio da noite enquanto estamos num carro a ir para uma parte incerta, onde o tempo não tem lugar... apenas o sentimento que se prolonga em união com as notas e a nossa alma se eleva a lugar nunca antes explorado fundindo-se na escuridão e nas luzes brilhantes que se arrastam...
Os momentos de sabedoria que nos acompanham nestes instantes são como vislumbres da eternidade, o passado, o presente e o futuro tudo condensado num segundo.
São como passeios à chuva quando as gotas enchem e levam junto com a torrente todos os desgostos e purificam todo o nosso ser.
Fazem-nos ver o mundo com outros olhos, com outra sensibilidade que nos abre à energia do Amor e nos faz Amar a vida loucamente...
Namasté! ("O meu deus interior saúda o teu deus interior")